Caso de Desapego de Gregório Duvivier

Para quem não sabe, Gregório Duvivier é um humorista, escritor, ator e um dos criadores do canal de humor no YouTube Portas dos Fundos. Ele foi casado com a também humorista, atriz e cantora Clarice Falcão.

 

Depois de vários anos de união, parceria e trabalho juntos, a relação terminou. Você imagina como alguém pode terminar arrasado depois de um relacionamento assim não é. 

 

Pois bem, decidi compartilhar com vocês o texto que Gregório escreveu em sua coluna no Jornal Folha de São Paulo, onde ele conta um pouco desse relacionamento e nos dá uma lição de desapego ao final. Espero que você possa aprender um pouco também com essa história.

Desculpe o Transtorno, Preciso Falar da Clarice - Por Gregório Duvivier - Folha de São Paulo

Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.

 

Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam para a ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

 

Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.

 

Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.

 

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.

 

 

Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

 

Fonte: http://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2016/09/1812342-desculpe-o-transtorno-preciso-falar-da-clarice.shtml

Qual a Lição que Aprendemos com Gregório?

Mesmo com um relacionamento longo e feliz, ele soube ver os momentos felizes que passaram juntos. Escolheu para ele a lembrança dos sentimentos bons e esqueceu os ruins. É dessa forma que devemos agir ao terminar o relacionamento. Pois se não deu certo pelo menos ficará uma boa e reconfortante lembrança.

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